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Tarsila do Amaral

 

Tarsila do Amaral nasce em Capivari, no interior do estado de São Paulo, no dia 1o de setembro de 1886. Era filha de José Estanislau do Amaral Filho e Lydia Dias de Aguiar, membros da aristocracia rural cafeeira do estado. Sua infância trans- corre nas fazendas de seu pai, a São Bernardo, localizada proximamente a Capivari, e SantaTeresa do Alto, no município de Itupeva. Mais tarde estuda em colégios internos em São Paulo e Barcelona, casando-se em 1904 com AndréTeixeira Pinto. Com ele tem uma filha, Dulce, nascida na Fazenda São Bernardo em 1906. Sua incursão na pintura dá-se após sua separação. Estuda com William Zadig a partir de 1916 e Pedro Alexandrino em 1917. Em 1920, fixa-se em Paris, onde frequenta a Académie Julian. De volta ao Brasil em junho de 1922, 4 meses após a realização da Semana de Arte Moderna, trava contato com Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Anita Malfatti e Menotti Del Picchia. Os cinco se autodenominariam o Grupo dos Cinco. No final do ano, retorna à Paris, onde estuda com André Lhote, Albert Gleizes e Fernand Léger, absorvendo muito de suas obras. Oswald de Andrade embarca para a Europa pouco depois, dando início a uma fecunda relação intelectual e amorosa.

A Exposição

 Tarsila do Amaral (Capivari, SP, 1886 – São Paulo, SP, 1973) foi figura fundamental do movimento modernista brasileiro, produzindo ao longo de sua vida uma potente e inovadora obra, a qual passou por diversos momentos, como o da pintura Pau-Brasil, Antropofágica e sua fase social. Duas importantes obras muito reproduzidas na vasta bibliografia existente sobre a artista constituem o eixo central da exposição. São elas Paisagem com dois porquinhos, de 1929, e Segunda Classe de 1933. Por integrarem coleções particulares, elas foram raras vezes vistas pelo público, a mostra assim constituindo uma oportunidade única para entrar em contato com elas em primeira mão. 
A exposição pretende observar de perto um momento de ruptura e transformação, entre os anos finais da década de 1920 e o início dos anos 1930, através dessas duas obras. Os poucos anos que separam uma da outra foram profundamente transformadores para a vida e a obra de Tarsila. Com a queda da bolsa de Nova York em 1929 ela sofreu sérios reveses financeiros por conta da queda dos preços do café no mercado internacional, e viu sua fazenda hipotecada e o fim da vida de luxo que até então conhecera. No mesmo tempo, separou-se do poeta Oswald de Andrade, com quem se casara em 1926 e desenvolvera frutífera relação intelectual. Se Paisagem com dois porquinhos é um significativo exemplar da fase Pau-Brasil da artista, Segunda Classe é das mais relevantes pinturas de cunho social de Tarsila, constituída como é por reduzido número de obras. 


Tarsila foi tanto protagonista da renovação da linguagem artística nacional, atualizando as formas da pintura brasileira com aquelas dos movimentos de vanguarda europeus, com os quais conviveu e muito aprendeu, quanto das primeiras artistas a se engajar com as preocupações sociais que tanto marcaram a década de 1930 no Brasil e no mundo. Como Luís Martins apontou: “A pintura social no Brasil, a tal ‘realidade brasileira’, foi tratada por Tarsila muito antes de qualquer outro pintor nacional, de maneira direta e poderosa.” 


Além de expor as duas pinturas, a mostra conta com uma publicação que incluí uma documentação iconográfica, fortuna crítica das obras e suas exposições, e textos de Paulo Venancio Filho, Aracy Amaral, Regina Teixeira de Barros, Juan Manuel Bonet e Jorge Schwartz.

 

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